Uma nova Era: Gostemos ou não!

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Atribui-se a Roberto Pompeu de Toledo um poema divertidíssimo chamado “O tempo”. Nele, o autor atribui genialidade a quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, dando a essa fatia o nome de ano. Para o autor, a esperança foi industrializada, sendo que doze meses seriam mais do que suficiente para testá-la, até a exaustão, e quando estamos prontos a entregar os pontos, pronto: eis que surge o milagre, o milagre da renovação.

A esperança, como se pode dizer, indo além do limite do que foi dito pelo autor, foi engarrafada, e vai se tomando ao longo do ano, muito mais nos primeiros três meses.

É como se apertássemos o ponto de reinício, e pronto: novo número, ano, esperanças, enfim, novas deliberações para que possamos acreditar que tudo vai ser diferente.

Mas há muitas outras fatias de tempo que também, após esgotadas as nossas esperanças, se renovam, e que vão muito além dos doze meses de um ano. Os mandatos políticos, as eras históricas, o ciclo de um curso, entre outros. Em especial neste ano, parece que o ano se finda com o fim de uma era no nosso ambiente político.

Muitos historiadores foram rápidos em caracterizar o tsunami que se abateu sobre a política brasileira como o fim da Nova República, iniciada no fim da década de 80. Iniciamos novos tempos? Talvez!

Qualquer analista prudente e despretensioso não negará que são tempos muito diversos na nossa política, e não há como não caracterizá-los sob o manto da novidade. “Ei, nem toda novidade é positiva”, diriam alguns. “É claro”! A obviedade da afirmação não contrasta com o objetivo do texto. Certo é que a população chegou a esse tempo cansada, exausta, e pode ser que o cansaço e a indignação não sejam bons conselheiros. Mas o que emergiu das urnas brasileiras é profundamente diferente do que estava posto. Eliminaram-se políticos tradicionais, bons e ruins, sem qualquer pedido de licença.

Eis que o tempo se renovou! Muito além do tempo engarrafado, muito além da industrialização de uma esperança que não se logrou êxito em industrializar. Como uma garrafa cheia de gás, sacudida, a esperança extravasou.

Mas, leitor, não imagine que esse autor esteja repleto de esperanças. Eu tenho esperanças! Mas teria muito mais esperança se as pessoas preferissem optar por renová-las a si mesmas. O que analiso é que as pessoas no Brasil estão com esperança.

Os novos tempos começaram simbolicamente. Novo número, novo presidente, novos governadores, novos deputados e senadores, uma nova era! Quanto tempo vai durar? O que vai ser? Não sabemos. Mas precisamos torcer para tudo caminhar bem, e que sejamos bem liderados, mas cientes de que de nada adiantam novos projetos, novas ideias, novas esperanças, novas deliberações no tempo que vai se iniciar, se continuarmos sendo as mesmas pessoas de sempre.

Que a esperança na boa nova se renove em cada um dos nossos corações, e que nos alimentemos da sabedoria de Cristo para uma grande renovação, mas uma renovação íntima.

Jamir Calili Ribeiro | Patrono: Machado de Assis