Papo de Boleiro

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Dolfino “Italiano” Fernandes Chisté

(*) Luiz Alves Lopes

Na vida terrena, há pessoas que se alimentam de sonhos, pensando em torná-los realidade. No mundo esportivo da terra de Serra Lima, dentre outras, uma pessoa controvertida, explosiva, incompreendida às vezes, sonhou em elevar o futebol amador de Governador Valadares às alturas. Elevá-lo o mais alto possível no pódio do futebol das Minas Gerais. Queremos falar de Dolfino Fernandes Chisté. O Chisté da relojoaria, o Chisté da Liga, o “italiano”, o pai do Alexandre “Orelha”, do Márcio, do Rogério, da Cátia; o esposo de dona Glória. Estopim e pavio curtos é bem verdade.

Sabe-se, por ouvir dizer, que o “italiano” se fez de zagueiro no passado. Não é de nossa época, né gente? É bem verdade que no início de nossa trajetória no Rio Doce de João Rosa, lá estava ele no final de carreira, dando suas “caneladas” ao lado do Sêbo, Dinho, Marreco, Juarez, Queiroz “mala” e outros menos votados.

Pouco lembrado é que nos bons tempos do Varzeano, comandado por Mendes Barros e sua extraordinária equipe (quem dera a tivéssemos nos dias atuais!), Chisté, ao lado do Vereador Badú, Zé Borges (o pai da saudosa Márcia Valéria) e outros mais, tocaram por anos e anos o Tupã. Em 1969 arrebanharam um grupo de “cobras criadas” e conseguiram o título daquele ano. O time era tão bom que até quando o Lubumba jogava, ainda assim conseguia vencer. Interessante: o Tupã venceu o Campeonato Varzeano de 1969 e o time acabou… coisas do futebol. Uma coisa é montar um grande time; mantê-lo é outra história.

O tempo passou. Mendes Barros tornou-se agente político (muito íntegro, viu, minha gente!) e, por inúmeros períodos administrativos à frente do futebol amador da cidade, sobressaiu-se e destacou-se a figura do Dolfino Fernandes Chisté.

Nos tempos em que a Federação Mineira de Futebol era uma anarquia geral, Chisté adquiriu respeitabilidade pela maneira coerente com que conduzia o futebol amador em Governador Valadares, contando para tanto com um seleto grupo de pessoas. Enumerá-los é correr o risco do esquecimento e cometimento de injustiça. O grupo era quantitativo e qualificado.

No andar de cima, quem não se lembra de Esmeraldo Botelho? O “Tigre de Bengala” todo-poderoso da FMF?

E de dona Dirce, a quem competia a tarefa da liberação de transferências de atletas? E do Edmar (posteriormente Dr. Edmar) no Departamento Técnico da entidade máxima de Minas? E do período da dinastia dos GUILHERMES na FMF? Coronel José Guilherme e seu filho Helmer Guilherme? Chisté soube conquistar o respeito de todos eles. A Liga de Futebol Amador de Governador Valadares nos períodos administrativos de Dolfino Chisté sempre recebeu atenção digna, especial mesmo, por parte de dirigentes acima enumerados.

Além de organizar — e bem! os campeonatos locais: primeira e segunda divisões, aspirantes e juniores, com disputas acirradas e emocionantes, levando o torcedor aos campos de jogos, motivando inclusive a mídia local, Chisté teve a sábia iniciativa de fazer realizar os TORNEIOS REGIONAIS, que marcaram época e que continuaram a serem realizados pelas administrações posteriores.

Regional de 1973, vencido pelo Democrata; Regional de 1974, vencido pelo E.C Caratinga; Regional de 1976, vencido pelo Democrata; Regional de 1977, vencido pelo Coopevale; Regional de 1979, vencido pelo Coopevale; Regional de 1981, vencido pelo Coopevale; e, em 1982, vencido pelo Bangú Atlético Clube. Tempos de ouro do futebol regional. De onde saíram ZIQUITA, ALTAIR, HELINHO, TIZIU, NEGUINHA, ALEMÃO, MARCO ANTÔNIO, WILDIMARK, VANDERLEY, JOÃO CARLOS, HÚDSON, ZECA, BURUTE, CORNÉLIO, CINZENTO, VALDEIR, TOTONHO, SABINO e tantos outros. Dos regionais? Não queremos falar de Franz, Eugênio, Alex, Pagani, Ronaldo Pinto, Baiano, Tião, Ricardo Sabino, Bigorna, Julião, Giacomin, Niltinho, Batata, Mateus, etc, etc, etc, cujos surgimentos tiveram origens outras, também em histórias ricas e interessantes (os certames de dentes de leite).

Dolfino Fernandes Chisté não está mais entre nós.

Você que gosta do futebol amador sabe exatamente quando foi realizado o último campeonato amador em nossa cidade? Tem tido notícias das atividades da Liga Amadora?

Há pessoas que morrem crendo nos valores que defendem, lutando com desprendimento; passam pelo mundo dos homens; escrevem suas histórias. Dizem, e nós acreditamos, que o Criador tem para todos um projeto de vida. Dolfino Fernandes Chisté, o “italiano” com quem tanto brigamos (na esfera esportiva), deixou uma lacuna enorme ainda não preenchida. Dele o futebol amador e sua gente carregam uma saudade danada.

 

Ex- atleta